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17 julho 2011

Ilusão de Ótica

O ser humano é uma parte do todo a que chamamos universo, uma parte limitada no tempo e no espaço.
Ele concebe a si mesmo, as suas idéias e sentimentos como algo separado de todo o resto - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é um tipo de prisão que nos restringe aos nossos desejos pessoais e reserva a nossa afeição a algumas poucas pessoas mais próximas de nós.
Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza.
Ninguém conseguirá atingir completamente este objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior.
 
Albert Einstein

04 junho 2011

Quino, desiludido com o século...

O cartunista argentino Quino, autor da Mafalda, desiludido com o rumo deste século no que diz respeito a valores e educação, deixou impresso no cartum o seu sentimento.

A genialidade do artista faz uma das melhores críticas sobre a criação de filhos (e educação) nos tempos atuais.









Dica de Bárbara Ladwig

17 março 2011

Tsunami no Japão


Após assistir ao vídeo abaixo, três coisas me passaram pela cabeça:

1 - Em caso de tsunami, não fique dentro do carro;
2 - Em caso de tsunami, não fique dentro de casa;
3 - Será que o carro branco, que passa na rua no 6º segundo do vídeo, conseguiu escapar?





*** UPDATE DO TÓPICO:

Aproveitando o assunto, posto um vídeo contendo imagens do tsunami ocorrido na Indonésia, em dezembro de 2004, e um link, abaixo, contendo a cena do tsunami no filme 'Além da Vida' (cena que já foi objeto de postagem aqui no blog, dias atrás, antes do tsunami do Japão, num vídeo mostrando como ela foi feita), que foi baseada no evento ocorrido em 2004.

Atento para o fato de que, em 2004, o número de mortos confirmados foi de 150 mil pessoas, sem contar os mais de 70 mil desaparecidos - 220 mil no total.





http://www.youtube.com/watch?v=D2IlEQLZug8&feature=related

26 julho 2009

Racionais?

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.

Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões.

Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.

Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.

Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.

Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre sí a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.

As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro.

Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos

Da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente.

Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.

A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos .

Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.

Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.

Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante.

Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.
Bertold Brecht

25 março 2009

Hora do Planeta


Earth Hour
Realizada pela primeira vez em 2007, a Earth Hour (Hora do Planeta) contou com a participação de 2,2 milhões de moradores de Sidney, na Austrália. Já em 2008, o movimento reunião 50 milhões de pessoas, de 400 cidades, em 35 países. Simultaneamente apagaram-se as luzes do Coliseu, em Roma, da ponte Golden Gate, em São Francisco e da Opera House, em Sidney, entre outros ícones mundiais.
Em 2009, a Hora do Planeta será realizada no dia 28 de março, sábado, das 20h30 às 21h30, e já conta com a adesão de 6.831 organizações, 20.887 empresas e 2.712 cidades, de 84 países diferentes, entre elas Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Curitiba. Cada pessoa pode se cadastrar no site ou, simplesmente, apagar as luzes no próximo sábado. A intenção é chegar a 1 bilhão de participantes.


17 fevereiro 2009

A má notícia

Em termos de sobrevivência e proliferação, a espécie humana é um sucesso sem precedentes. Nenhuma outra espécie com a mesma proporção de peso e volume se iguala à nossa. Beiramos os oito bilhões (só no tempo gasto para escrever isto nasceram mais alguns milhares) e o nosso habitat natural é a Terra toda, seja qual for o clima ou a vegetação. Como conseguimos controlar a produção do nosso próprio alimento, somos a primeira espécie na história do planeta a poder viver fora do seu ecossistema de nascença. Isso nos permite multiplicar-nos como nenhum outro bicho de tamanho equivalente, e nos deu a mobilidade e a consequente sociabilidade – em nenhuma outra espécie as diferentes categorias se intercasalam como na nossa – que nos salvou do processo de seleção que limitou as outras, dependentes de ecossistemas restritos. Por isso não evoluímos muito, mas também não nos extinguimos.

A técnica também nos salvou das regras implacáveis da seleção natural. Mutações que decretariam o fim de outra espécie em poucas gerações na espécie humana são corrigidas, ou compensadas, pela técnica. Exemplo: a visão. O homem urbano tem visão inferior à dos seus ancestrais caçadores e catadores. Como só precisamos de visão suficiente para distinguir as embalagens no supermercado, enxergamos menos do que quem precisava descobrir comida no mato. A oftalmologia se encarregou de corrigir nossa degeneração visual. Graças à técnica, nossa espécie hoje enxerga até no escuro.

Esta é a boa notícia. A má notícia é que chegamos onde estamos consumindo tudo à nossa volta e hoje somos tantos que também nos transformamos em recurso consumível. Estamos, mesmo, a caminho de estabelecer uma monocultura de carne humana que superará em valor calórico todas as outras fontes de alimento disponíveis sobre a Terra. Em 10 mil anos de ingestão de comida cultivada, mesmo descontando o fato que a maioria só comia para subexistir, fomos ficando cada vez mais nutritivos e apetitosos. Hoje, gente é o principal exemplo de recurso subexplorado do planeta. Seguindo as leis impiedosas da evolução, as comunidades virais e bactereológicas fatalmente se transformarão para nos incluir, cada vez mais, na sua dieta. Já que estamos aí, aos bilhões, literalmente dando sopa.

Era a minha contribuição para estragar o seu dia, hoje. Obrigado.

Luis Fernando Verissimo