08 dezembro 2008

A TV é o seu evangelho


Edward George Ruddy morreu hoje!

Edward George Ruddy era o manda-chuva da cúpula da União dos Sistemas Televisivos, e ele morreu hoje às 11 horas da manhã de ataque cardíaco.
E "ai" pra nós! Estamos encrencados agora!
Mas, qual é o problema? Afinal, um velho rico baixinho de cabelo branco morreu. E daí? Que influência isso terá no preço do arroz, certo? E por que estaríamos em problemas?
Porque vocês, pessoas, e 62 milhões de outros americanos estão me ouvindo nesse exato instante.
Porque menos de 3% de vocês lêem livros.
Porque menos de 15% de vocês lêem jornais.
Porque a única verdade que vocês sabem é a que sai dessa caixa.

Nesse exato momento há uma geração inteira que nunca aprendeu nada que não tivesse saído dessa caixa! Essa caixa é seu evangelho. É a revelação máxima. Essa caixa pode fazer ou depor Presidentes, Papas e Primeiro-Ministros. Essa caixa é a maior força que existe em todo o mundo de Deus, e estamos ferrados se ela cair nas mãos de pessoas erradas! E é por isso que estamos encrencados, porque Edward George Ruddy morreu.

Porque essa emissora está agora nas mãos da CCA, a Corporação de Comunicação da América. Há um novo manda-chuva agora no comando dessa emissora, chamado de Frank Hackett sentando na cadeira da sala do Sr.Ruddy no 20º andar. E quando as 12 maiores empresas do mundo controlam a maior e mais fantástica máquina de propaganda do mundo inteiro de Deus, quem saberá que merda será negociada como sendo a verdade nessa emissora?

Então me escutem. Me escutem!
Televisão não é a verdade. Televisão é uma porcaria de um parque de diversões!
Televisão é um circo, um carnaval, um bando de acrobatas, contadores de estória, dançarinos, cantores, pilantras, montadores de shows de mentiras, domadores de leões e esportistas.
Estamos num negócio em que a única coisa que importa é matar o tédio.
Por isso, se vocês querem a verdade, procurem Deus.
Vão procurar seus gurus.
Procurem seus interiores!
Porque lá é o único lugar onde encontrarão alguma verdade.

Cara, você sabe que não conseguirá nenhum tipo de verdade de nós. Nós te contamos qualquer coisa que você quiser ouvir. E mentimos sem remorso.
Nós te dizemos que o Detetive sempre pega o assassino, e que ninguém nunca pega câncer na novela das cinco.
E não importa em quantos problemas o herói esteja, não se preocupe. Olhe bem para o seu relógio, quando tiver passado uma hora ele terá vencido! Nós te dizemos qualquer merda que você queira ouvir!
Nós vendemos ilusões. Mas não a verdade!

Mas vocês, pessoas, sentam na frente dela, dia após dia, noite após noite. Vocês são de todas as idades, cores e credos. Somos todos que vocês conhecem.
Vocês estão começando a acreditar até nas mentiras que estamos lhes dizendo nesse exato momento. Vocês estão começando a acreditar que a caixa é de verdade e que suas vidas são de mentira! Vocês fazem tudo que a caixa manda vocês fazerem! Vestem-se como ela manda, comem o que ela manda, criam suas crianças como ela quer e até pensam como a caixa!
Isso é uma alucinação coletiva em massa, seus maníacos!
Em nome de Deus, vocês pessoas é que são a realidade! Nós aqui dentro é que somos a ilusão!
Então desliguem a TV! Desliguem a TV agora mesmo!
Desliguem sua TV e deixem ela aí no canto da sala. Desliguem a TV no meio dessa frase que estou dizendo.

Desliguem!

Rede de Intrigas - Network (1976)

07 dezembro 2008

Conselho

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
Chico Buarque de Holanda

Sonho

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo!
E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...E não sou nada!...
Florbela Espanca - Vaidade

06 dezembro 2008

Amar e dormir

"Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir. "
Clarice Lispector, em Felicidade Clandestina - conto Os desastres de Sofia

04 dezembro 2008

É sempre amor

O Amor é uma merda! Se eu pudesse afastar de mim um sentimento humano, afastaria o Amor. Juro por tudo o que me é mais sagrado: se eu pudesse, pegava o Amor que há dentro de mim e jogava na lata do lixo.
Faria melhor: pegava o Amor que há em mim e trocava pelo equivalente em ódio, em ganância, em insensibilidade, em descrença ou em deboche. Assim eu estaria apto para o mundo moderno: homem pró-ativo e competitivo; máquina de ganhar e fazer dinheiro; homem de negócios, escusos ou lícitos, pouco importa. O Amor eu extirpava de mim, de vez por todas, pra sempre.
Se a Medicina permitisse, eu trocava o meu coração – símbolo do Amor – e botava no lugar dele mais um estômago, pra poder comer mais, coisa muito melhor. Se a Medicina permitisse, trocava o meu coração por cargas extras de testosterona (virilidade inacreditável e sobre-humana, conversão garantida em atleta sexual, coisa muito melhor).
Se pudesse afastar de mim um sentimento, afastaria o Amor, esta merda que só me faz sofrer. Foi assim, desde sempre; sofri sempre que amei. Uma, duas, três, incontáveis vezes, desde o dia em que senti no peito essa coisa desgraçada que é o Amor. O Amor é uma fraqueza, uma doença, é uma vergonha, uma praga. Minha desgraça foi nascer com esse defeito: o Amor.
Primeiro o Amor à Família: Avós, Pais, Irmãos, Tios, Primos e Sobrinhos. Amor dos grandes, Amor incondicional. Daí a morte – fim de quem vive – leva-nos os entes queridos, sem dó. Sabe lá o que é enterrar alguém que você ama, amigo? Sabe o que é ficar dias à beira de uma UTI, à espera de um milagre, e receber a notícia de que a morte, uma vez mais, levou consigo alguém que era tão nosso? E o peito aberto por uma chaga que nem o tempo é capaz de fechar. Isso é o Amor. O Amor é uma merda!
Depois vem o Amor às mulheres: amores platônicos, reais, possíveis, impossíveis, passageiros, infantis, amadurecidos. Meu primeiro Amor se chamava Pietra - atleticana, linda por sinal, com seus enormes olhos verdes - e nós só não casamos porque tínhamos cinco anos de idade, à época. Depois dela, houve outras: boas e más, lindas e feias, mais velhas e mais novas, atleticanas ou não.
Mulheres olham dentro dos olhos da gente e juram Amor pra vida inteira. De repente elas esquecem tudo, fica o dito pelo não dito, te trocam por um playboy filho da puta de 30 anos de idade, que vive às custas da família estudando pra fazer concurso público pra virar Juiz de Direito, e você só não morre de Amor porque aos 20 anos de idade o Amor arrebenta a gente, mas não mata. Isso é o Amor. O Amor é uma merda!
Há, também, o Amor por um time de futebol. Você lá, com seis anos de idade, vivendo seus dias de infância, na inocência de que tudo na vida vai ser pura alegria, até que ouve um nome mágico que toma de assalto a sua alma e que te absorve toda a atenção: CLUBE ATLÉTICO PARANAENSE!
Após o nome, vem a imagem representada pelo sagrado manto vermelho e preto. Ao fundo, você ouve: “Atlético, Atlético, conhecemos teu valor. E a camisa Rubro-Negra só se veste por Amor!”. E, sem saber o porquê, os pêlos do teu corpo ficam arrepiados e você cai num choro copioso que só acaba quando um adulto te diz: “Piá, esse teu choro é Amor!”. E você se torna Atleticano, de uma vez por todas e para sempre!
Tomado pelo Amor, você passa a viver a vida do seu time e, sobretudo, passa a viver pelo seu time. Chova ou faça sol; Baixada, Couto ou Pinheirão; Libertadores ou Segunda Divisão; Caçula & Biluca ou Assis & Washington; Vitórias ou Derrotas; na Saúde ou na Doença; nada disso tudo importa, afinal você é um ATLETICANO e vive pelo – e para – o Atlético!
Por ser ATLETICANO, você ama, e sofre, e chora, e mata pelo Atlético. Por ser ATLETICANO, você passa a viver em função do Atlético. Por ser ATLETICANO, você vira um doente cuja vida depende dos tubos e dos aparelhos a que está ligado. Você respira Atlético, alimenta-se de Atlético e dorme Atlético, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, pela vida inteira.
Sem o Atlético você morre e, se não morrer, perde grande parte da razão de estar vivo! Isso é o Amor, meu Amigo! Daí um leitor te manda um e-mail pedindo: “Rafael, escreva uma coluna para motivar o torcedor ATLETICANO a ir domingo à Arena apoiar o Atlético!”.
Eu, colunista obediente, escrevo esta coluna pra dizer que nasci predestinado ao Amor. O Amor é uma merda e por causa dele sofri mais do que um animal. Pelo Amor, diversas vezes “rastejei num chão coberto de giletes”, como diria Vinícius de Moraes, num de seus mais belos poemas.
Quem nasce predestinado ao Amor não escapa dele nunca, tampouco consegue retirar de si este sentimento ou trocá-lo por outro sentimento menos nobre. Quem nasce predestinado ao Amor ama e por isso chora as perdas dos entes queridos, chora a partida das mulheres e chora a derrota do seu time querido.
Quem nasce predestinado ao Amor ama e por isso ganha o prazer – imensurável, insubstituível e indescritível - de conviver com seus entes queridos, de amar as mulheres, de comemorar os triunfos do seu time querido e de viver, plenamente, como um homem, sem fugir das delícias e das derrotas que fazem parte da vida!
“Rafael, escreva uma coluna para motivar o torcedor ATLETICANO a ir domingo à Arena apoiar o Atlético!”.
Pois eu escrevo que a grande motivação para todo ATLETICANO ir à Arena no domingo está no simples fato de sermos ATLETICANOS, de reconhecermos no Atlético nosso Amor (na saúde e na doença), de reconhecermos no Atlético nossa razão de viver e de reconhecermos no Atlético nossa própria vida.
O Amor é uma merda? Que nada! O Amor é fundamental. Se eu pudesse exacerbar em mim um sentimento humano, faria crescer o Amor. Pegaria em mim o que há de ódio, de ganância, descrença e deboche e trocaria por Amor.
Iria além: se a Medicina permitisse, botava pra bater no meu peito outro coração, e ao Médico só faria uma exigência: “Doutor, bota pra bater no meu peito outro coração Rubro-Negro, daqueles bem ATLETICANOS, parecido com este velho coração que eu carrego há 33 anos – 26 dos quais dedicados ao Atlético – coração que já levou muita porrada, é verdade, mas que Ama o Atlético, incondicionalmente, desde 1982. E assim será até morte, fim de quem vive. Como deve ser!
Domingo, Arena da Baixada, 17 horas: Atlético em altas doses, pra quem tem coração Rubro-Negro e sangue forte. Estaremos lá.
Rafael Lemos

Curta a sua Vida!

Alguns ônibus de Londres poderão levar, a partir de janeiro, pôsteres com um slogan pouco comum: "There's probably no God. Now stop worrying and enjoy your life" ("Provavelmente, Deus não existe. Agora, páre de se preocupar e curta a sua vida", em tradução livre).

A campanha é da British Humanist Association (BHA, na sigla em inglês) e tem o apoio do acadêmico britânico Richard Dawkins, autor do livro "Deus, um delírio" e conhecido pelos seus documentários questionando o papel das religiões.

(...)

"Nós vemos tantos pôsteres divulgando a salvação através de Jesus ou nos ameaçando com condenação eterna, que eu tenho certeza que essa campanha será vista como um sopro de ar fresco", disse Hanne Stinson, presidente da BHA. "Se fizer com que as pessoas sorriam, além de pensar, melhor", concluiu.

(...)

"A religião está acostumada a usufruir de benefícios tributários, respeito não merecido, o direito de não ser ofendida e o direito de fazer lavagem cerebral nas crianças", disse Dawkins. "Mesmo nos ônibus, ninguém pensa duas vezes quando vê um slogan religioso. Esta campanha fará com que as pessoas pensem e pensar é um anátema perante a religião", completou.

Fonte: Folha de São Paulo

03 dezembro 2008

Comida para vermes



Carpe diem quam minimum credula postero - Colhe o dia e confia o mínimo no amanhã.
Horácio, em Odes



Fui à floresta porque queria viver profunda e intensamente (...) sugar a essência da vida. Eliminar tudo que não for vida, e não, ao morrer, descobrir que não vivi.
Henry David Thoreau

02 dezembro 2008

Felicidade

"Faça o que for necessário para ser feliz.
Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples,
você pode encontrá-la e deixá-la ir embora
por não perceber sua simplicidade".
Mário Quintana

01 dezembro 2008

Fé e amor

"Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento."
Machado de Assis

Está explicado

O curitibano é o que menos faz sexo
A personalidade fechada e conservadora tem reflexos no comportamento afetivo e sexual dos curitibanos. Se comparado a habitantes de outras nove capitais brasileiras, o curitibano é o povo que menos faz sexo. As mulheres da capital paranaense são as que menos diferenciam sexo de amor e as que apresentam menor índice de satisfação em relação à vida sexual. Os homens são os que menos usam preservativo e os que se mostram mais conservadores quanto ao sexo sem envolvimento. Os curitibanos são ainda os que afirmam ter o menor número de parceiras significativas ao longo da vida, mas são os que mais conversam sobre sexo com a família.
Os resultados fazem parte da pesquisa Mosaico Brasil, patrocinada pela Pfizer, que entrevistou 8.237 pessoas em dez cidades brasileiras ao longo de 2008 com o objetivo de traçar um perfil do comportamento afetivo-sexual do brasileiro.
A presença de sentimento, a insatisfação e a falta de prioridade quando o assunto é sexo são alguns dos aspectos levantados pelas curitibanas ouvidas pela reportagem. Em compensação, o homem não acredita que a afinidade seja um aspecto motivador para um relacionamento. Quanto a conversar sobre sexo com a família, sem problemas. Prática que acaba contradizendo o jeito de ser sisudo do curitibano.
Segundo o estudo, os homens de Curitiba têm em média 2,7 relações sexuais por semana e as mulheres 2,1. Os números estão abaixo da média nacional, que é de 3,1 relações para os homens e 2,7 para as mulheres. Os campeões na cama são os homens mineiros, que têm em média 3,8 relações por semana e as mulheres de Manaus, com 2,7.
A pesquisa revelou ainda uma mudança no comportamento em relação há algumas décadas. Homens e mulheres estão separando sexo de amor. Os dados nacionais mostram que 61% dos homens e 54% das mulheres distinguem a vida sexual da vida afetiva. Em Curitiba, no entanto, a visão é um pouco mais conservadora: apenas 43% das mulheres fazem essa separação, a menor média entre as capitais. Homens de Fortaleza (65,9%) e mulheres de Manaus (60,4%) são os que mais se destacam nessa distinção.
O estudo apontou também que para 45% dos brasileiros a vida sexual e afetiva é satisfatória. No entanto, quando se separam as duas coisas, quase 30% dos homens e mulheres se dizem realizados apenas afetivamente. Mas o percentual de homens que se diz realizado apenas sexualmente é o dobro do das mulheres, 15,8% contra 8,7%. Regionalmente, os índices mais baixos de satisfação sexual foram encontrados entre os homens de Manaus (10,7%) e as mulheres de Curitiba (7,1%). Os mais realizados sexualmente são os homens de Porto Alegre (18,4%) e as mulheres de Fortaleza (10,7%).
(...)
Em relação à qualidade de vida, o sexo apareceu como terceiro item mais importante entre os homens e o oitavo entre as mulheres de todo o Brasil. As paulistanas são as que mais o valorizam, colocando a vida sexual satisfatória como o terceiro indicador de qualidade de vida. Homens cariocas são os que dão mais importância ao sexo. São eles também os que menos vêem problema em ter relações sexuais sem envolvimento (82,7%). Os curitibanos, ao contrário, são os mais conservadores, apenas 65,5% dos homens fariam sexo sem envolvimento. Entre as mulheres, as mais reservadas são as mineiras: apenas 30,9% delas iriam para a cama com alguém que não estivessem envolvidas.
(...)
O perito de seguros Carlos (nome fictício), 40 anos, mantém um relacionamento estável há seis anos. Porém, afirma que a variedade nas relações é um aspecto saudável. Ressalta que o respeito ao outro é importante, mas acredita que para haver um envolvimento sexual nem sempre é preciso ter sentimento.
Gazeta do Povo, em 26/11/2008

Bom pessoal, está explicado. Mudem ou mudem-se, por favor!

29 novembro 2008

A Casa da Palavra

“Nosso trabalho é ouvir as pessoas que estão sofrendo”. As palavras de Sílvia Mayer Marinho, estudante de Psicologia em Blumenau, Santa Catarina e voluntária na tragédia que se abateu sobre o Estado, revelam que uma escuta é essencial contra a dor. A manchete da Zero Hora é precisa: “A eficiente máquina contra a destruição”. Então, eis aí a escuta contra a dor, contra o sofrimento, contra a destruição que o silêncio pode causar em uma vida. Ouvir as pessoas que estão sofrendo é retirá-las agora dos escombros do desalento, do soterramento da angústia, do frio da indiferença, da tragédia de um luto a ser feito. Ouvir as pessoas é convidar à casa da palavra – uma casa que se constrói e se modifica à medida em que se fala para alguém que escuta. Escutar significa aqui não oferecer uma casa pronta, igual para todos. Escutar significa ouvir a diferença radical de cada um diante de uma dor particular, singular e única - vivida por cada um a seu modo e de seu jeito. Escutar significa a construção de um lugar onde essa diferença se transforme de dor em trabalho - trabalho de luto.
Leonardo Ferrari

“27 de novembro de 2008, Zero Hora, CARLOS ETCHICHURY | Blumenau (SC)
EMERGÊNCIA EM SC
A eficiente máquina contra a destruição Estudante do 6º semestre de Psicologia, Silvia Mayer Marinho, 40 anos, senta em um dos bancos do salão paroquial da Catedral São Paulo Apóstolo, no centro de Blumenau, transformado em um gigantesco abrigo, para contar a sua rotina:
– Hoje (ontem) uma senhora teve uma crise ao lembrar que levou nos braços um sobrinho de oito meses, morto por um deslizamento. Ontem, ouvi uma mulher contando que perdeu um vizinho soterrado ao voltar para casa para buscar um celular. Agorinha mesmo um senhor falou que na comunidade dele, no Morro do Baú, uma família inteira prefere morrer soterrada a deixar a casa ameaçada... As pessoas precisam falar de sua dor.
Silvia é um dos centenas de voluntários mobilizados para amenizar sofrimentos de vítimas da maior tragédia da história do Vale do Itajaí.
– Nosso trabalho é ouvir as pessoas que estão sofrendo – conta Silvia.
A participação de voluntários como Silvia é facilitada graças a uma azeitada máquina que envolve o município, o Estado e a sociedade civil organizada – numa das mais bem sucedidas articulações da Defesa Civil no país.(...)”
Fonte: Carlos Etchichury in Zero Hora, 27/11/2008
Emprestado de Blog de Leonardo Ferrari

25 novembro 2008

Uma boa doença

Único prêmio Nobel de Literatura da língua portuguesa, José Saramago, 86, disse que não precisou ler a obra de Paulo Coelho para ficar mais sereno. A afirmação foi nesta terça-feira em São Paulo.

"Não precisei ler o Paulo Coelho. Uma boa doença vale por toda obra do Paulo Coelho", disse em tom de brincadeira.

A serenidade veio após o período em que ficou muito doente e que o obrigou a interromper o livro que veio lançar no Brasil, "A Viagem do Elefante".

Totalmente recuperado, Saramago está em São Paulo também para promover a exposição "A Consistência dos Sonhos", que também tem uma versão em livro, uma cronobiografia assinada por Fernando Gómez Aguilera.

(...)

Sobre o novo livro, Saramago afirmou que o inusitado é que a dosagem de humor que colocou na obra. Ele também afirmou que fez uma certa "garimpagem" espontânea de vocabulário ao usar espontaneamente palavras de sua adolescência e infância.

"Usei palavras que tinham ficado enterradas no passado, somos compostos de sedimentos lingüísticos", afirmou o escritor português.
Folha Online