26 outubro 2008

Para roubar um coração

Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade,

tem que ser vagarosamente, disfarçadamente,

não se chega com ímpeto,

não se alcança o coração de alguém com pressa.

Tem que se aproximar com meias palavras,

suavemente,

apoderar-se dele aos poucos,

com cuidado.

Não se pode deixar que percebam que ele será roubado,

na verdade, teremos que furtá-lo, docemente.

Conquistar um coração de verdade dá trabalho,

requer paciência,

é como se fosse tecer uma colcha de retalhos,

aplicar uma renda em um vestido,

tratar de um jardim, cuidar de uma criança.

É necessário que seja com destreza, com vontade,

com encanto, carinho e sinceridade.

Para se conquistar um coração definitivamente

tem que ter garra e esperteza,

mas não falo dessa esperteza que todos conhecem,

falo da esperteza de sentimentos,

daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.

Quando se deseja realmente conquistar um coração,

é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso,

é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes,

que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.

...e então, quando finalmente o outro coração for conquistado,

quando tivermos nos apoderado dele,

vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco.

Uma metade de alguém que será guiada por nós

e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração.

Um comentário:

Polêmica disse...

Que legal esse texto! Eu acredito que já roubaram a metade do meu coração, agora só falta eu roubar a metade do coração dessa pessoa que me roubou, rs!

Beijos