06 março 2007

Magritte

Ceci n´ets pas une pipe, ou Isso não é uma cachimbo, pintura de René Magritte
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Essas obras de René Magritte explicam bem uma parte do pensamento de Baudrillard. Quando ele faz uma pintura extremamente realista, retratando uma maçã ou um cachimbo, também nos lembra que aquilo não é uma maçã e tampouco um cachimbo. São simples signos que remetem ao real. Da mesma maneira ocorre quando olhamos uma fotografia. Baudrillard vai mais fundo no seu pensamento. Ele defende a idéia de que nossa realidade foi substituída pelos signos, que não sabemos mais reconhecer o que é realidade ou signo e, por isso, nos tornamos tão superficiais. Deixamos de ser reais, para ter uma vida virtual ou de aparências. Não é mais necessário ter aventuras, as pessoas podem ver um filme; não é mais preciso viajar, as pessoas navegam pela internet; não é mais preciso viver, elas vivem a novela que assistem. Dai podemos entender algumas das causas da valorização extrema da vaidade, do individualismo e da apatia da sociedade pós-moderna.
Para que fique melhor explicado, vou citar o professor de filosofia André Duarte:
"a mídia elege certas pessoas - à primeira vista, reais - e fotografa-as. A partir do momento em que a foto é feita, não estamos lidando mais com pessoas reais, porque a tecnologia permite que as fotos sejam manipuladas. Quando a revista vai para a banca, a fotografia está simulando uma realidade que não é real - e vai gerar impacto em todos os consumidores, que vão querer igualar-se ao que não existe".

Um comentário:

Bráulio disse...

Parabéns, gostei muito desse seu artigo. Traduz a triste realidade de de que vivemos em uma virtualidade constante.